Naufrágio de transporte irregular no Rio Paraná é cercado de dúvidas


- Por: Redação 007

Naufrágio de transporte irregular no Rio Paraná é cercado de dúvidas

As informações dando conta do acidente ocorrido no Rio Paraná, na noite da última segunda-feira (04) são ainda imprecisas. A Marinha foi acionada por volta das 22 horas e realizou várias buscas no trecho onde uma embarcação de pequeno porte haveria afundado após uma suposta colisão. Informações veiculadas em meios eletrônicos paraguaios, dão conta que havia 12 pessoas na “canoa”, oito teriam sido resgatadas ou nadado até a margem, e, quatro desapareceram na correnteza. Até o fechamento desta notícia, corpos ainda não foram resgatados, tampouco sabe-se com precisão de como teria acontecido o naufrágio. A Marinha segue em buscas.

Após o naufrágio, circularam informações que o acidente teria envolvido uma embarcação da Polícia Federal, o órgão por sua vez, expediu nota informando que no horário, todas as lanchas estavam no atracadouro.

O fechamento da Ponte da Amizade complicou a vida de muitos paraguaios que atuam, em especial na área da construção civil. Como solução surgiu uma modalidade de transporte clandestino operando quase que regularmente entre as margens do Rio Paraná. Em geral, a travessia é realizada por meio de embarcações pequenas e mesmo assim, elas transportam um número de passageiros além da capacidade.

Na semana passada, nossa redação recebeu a informação de que muitos profissionais que trabalham em várias obras na cidade, estariam utilizando linhas de travessia em vários pontos do rio, nas proximidades do Porto Meira. As embarcações, em geral, partem de duas localidades em Presidente Franco, uma ficaria na área conhecida como Puerto Três Fronteiras, muito próximo de onde está sendo construída a ponte, e a outra seria em Remansito, de onde teria partido a canoa naufragada na noite desta segunda-feira, levando 12 pessoas

Segundo o engenheiro Renato Camargo, vice-presidente do SINDUSCON/Oeste do Paraná (Sindicato da Indústria da Construção Civil), não é comum as construtoras operarem com mão de obra paraguaia, ou de estrangeiros, a não ser que os profissionais tenham obtido a documentação legal que permita a contratação, seja indireta ou indireta; mas se isso ocorre em obras menores, caberia ao Ministério do Trabalho fiscalizar. 

O que se sabe é que há contratações dessa mão de obra, especialmente em serviços menores, “em geral são pessoas que atuam em serviços da modalidade ‘diarista’ revelou um pequeno empreiteiro que pediu para não ter o nome publicado. Ele disse que é provável que 100 a 150 paraguaios atravessem o rio para atender os compromissos.

Nossa reportagem localizou um ajudante de obras paraguaio e ele revelou, que “é normal atravessarem para o Brasil todos os dias, porque precisam trabalhar. Os barcos saem de madrugada e voltam no início da noite; às vezes dá medo, porque sabemos que existe fiscalização e com o rio baixo, já aconteceu de barcos baterem em pedras e até virarem, mas nos acidentes que testemunhei não houve vítimas”, revelou. Também pedindo anonimato, o ajudante disse que “há mulheres que atravessam o Rio Paraná nessas embarcações e algumas leva, crianças”. Segundo ele, menores são usuais nas travessias porque tentam oportunidades no Brasil.   
Segundo informações, os componentes da canoa naufragada, seriam estivadores. 

Fiscalização
Operações de fiscalização são frequentes no trecho que compreende o Rio Paraná, até a foz do Rio Iguaçu, limite do território brasileiro. Exército, Marinha, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal intensificam o combate aos crimes de fronteira na barranca do Rio Paraná. A baixa vazão tem facilitado a travessia de mercadorias ilegais do Paraguai para o Brasil. 

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